Cenário de seca se mantém na Argentina, trazendo complicações para soja e milho

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A seca segue afetando mais de 70% da região dos Pampas, na Argentina, podendo fazer com que as estimativas para as safras de soja e milho sejam menores ainda.

Entre a última quinta e sexta-feira, foram registradas chuvas que, no melhor dos casos, foram de 30mm a 70mm em alguns setores do sudeste e parte do norte da província de Buenos Aires e o norte de Córdoba. Depois, entre sábado e domingo, houveram chuvas de até 30mm no centro-norte de Santa Fe, com máximos de 100mm no extremo norte de Salta.

Contudo, em muitas áreas, os produtores seguiram “olhando para o céu” na espera de registros maiores do que 10mm. Nessas zonas, as chuvas, até o momento, alcançaram apenas metade ou menos do que a metade do que o mesmo momento da safra passada.

“Essas chuvas foram heterogêneas e cobriram menos do que o esperado. Apenas em 10% da área houveram chuvas de 30mm a 70mm, enquanto outros 20% da área receberam chuvas de baixa intensidade, de menos de 25mm”, explicou Esteban Copatí, chefe do Departamento de Estimativas Agrícolas da Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

Há duas semanas, por conta do impacto da seca, a Bolsa reduziu de 54 milhões para 51 milhões a sua previsão da safra de soja. Na última quinta, foi feito um novo recorte, para 50 milhões de toneladas, número que representaria a menor produção desde 2012/13, quando foram colhidas 49,3 milhões de toneladas.

Segundo Copatí, as chuvas não foram suficientes para parar o deterioramento do cultivo e há riscos de novos recortes.

A associação Agricultores Federados Argentinos (AFA) avalia que 80% da soja de primeira etapa na zona estava de boa a muito boa. Contudo, 80% da soja de segunda etapa mostrava uma condição de boa a regular. O estresse hídrico, segundo a AFA, se reflete mais em regiões que receberam menos chuvas ou possuem uma aptidão produtiva inferior.

“A situação de seca se mantém e teremos que ver como as temperaturas vão evoluir ao longo da semana”, sinalizou Copatí. “É um cenário super complicado para a soja” e “a perspectiva de chuvas não é favorável até o final de fevereiro”.

A Bolsa também diminuiu sua previsão para o milho de 41 para 39 milhões de toneladas.